quinta-feira, 25 de agosto de 2011

ADD

Na primeira reunião do novo Secretariado o tema mais debatido foi a ADD. Aqui fica um resumo da reflexão de Ângela Campos.

"Avaliação de Desempenho Docente
1. Objectivos da ADD
- melhoria dos resultados escolares dos alunos
- desenvolvimento profissional dos professores
- melhoria do sistema educativo
2. Modalidades / Periodicidade da Avaliação
Tendo em vista os objectivos da ADD, esta deve revestir-se de um carácter eminentemente formativo, o que significa remeter a avaliação sumativa, com efeitos na graduação /progressão na carreira, apenas em momentos específicos de transição de escalão, portanto, de 4 em 4, ou de 6 em 6 anos.
A avaliação formativa anual é pertinente, desde que resulte numa apreciação qualitativa do trabalho desenvolvido pelo professor, baseada nos referenciais que a seguir se propõem, com orientações relativas à adequação de estratégias pedagógicas e necessidades de formação contínua do docente, com vista à obtenção de melhores resultados escolares.
3. Referenciais de Avaliação
Num momento em que se perspectiva a introdução dos resultados da avaliação externa dos alunos como um referencial da ADD, é pertinente uma reflexão cuidada sobre este aspecto. Assim, considerando os resultados escolares o reflexo da complexidade do processo de ensino – aprendizagem, a avaliação externa deverá ser encarada articuladamente com a avaliação interna, a primeira visando a aquisição de competências gerais, a segunda de talentos particulares e específicos dos alunos, assim como o seu empenho, progressos realizados e contexto familiar e escolar.
Estudos recentes evidenciam que a aprendizagem dos alunos deve ser medida através de vários tipos de avaliação, considerando os sistemas que avaliam através de testes padronizados, isoladamente, redutores do complexo processo de ensino – aprendizagem e deficientes na promoção da melhoria das aprendizagens dos alunos.
O conhecimento de sistemas de ADD de outros países, com base nos resultados escolares dos alunos, poderá constituir um ponto de partida para a reflexão sobre medidas a implementar no nosso país.
Os exemplos apresentados na reunião são os sistemas de ADD nos estados de Oregon, Colorado e Virgínia, nos quais os resultados escolares dos alunos constituem o principal referencial de avaliação de professores, nos seguintes moldes (1):
- a avaliação com base nos resultados dos alunos é feita em termos de progressão na aprendizagem;
- os resultados de testes padronizados ( exames nacionais) não são considerados isoladamente, mas sim articulados com outros tipos de avaliação feitos pelo professor ao longo do ano lectivo;
- os objectivos a atingir, em termos de resultados finais, são contextualizados pelos professores, tendo em conta o perfil / contexto escolar /familiar dos alunos;
- a avaliação reveste-se de um carácter eminentemente formativo – efeitos a nível da definição de estratégias de desenvolvimento pessoal e profissional do professor e a nível da melhoria dos resultados dos alunos ( e menos com a atribuição de classificações).
No contexto português, as grandes assimetrias que o caracterizam levaram-nos a excluir a hipótese de adopção de referenciais nacionais de resultados da avaliação externa dos alunos para efeitos de ADD.
Cabe a cada escola definir os objectivos a atingir em termos de resultados esperados, de acordo com as especificidades dos alunos e do contexto socioeconómico e cultural da escola.
4. Observação de aulas
Este elemento de ADD, pelo carácter burocrático, pontual e falacioso de que se reveste, foi considerado elemento a eliminar, excepto em situações excepcionais e justificadamente pertinentes.


(1) TUCKER, P.D. & STRONGE, J.H. (2001) “Measure for Measure: Using student test results in teacher evaluations.” American School Board Journal, 188, pag. 34-37"

Eleito novo Secretariado

No dia 12 de Julho foi eleito o novo Secretariado da secção. Dele fazem parte Arnaldo Madureira, João Tavares, Carlos Branco, Ângela Campos, Carmen Madureira, Célia Pinho, Henrique Cruz, Isabel Carvalho, Joaquim Monteiro, Jorge Mendes, Laura Rocha, Manuela Felício, Paulo Ferreira, Paulo Morais e Paulo Pereira.

sábado, 8 de novembro de 2008

Avaliação do desempenho

Manuela Ferreira Leite, presidente da CPN do PSD, quebrou o silêncio do partido sobre a avaliação dos professores perpetrada pelo governo socialista. Finalmente, os professores social democratas revêem-se na direcção do partido, ao denunciar o mau ambiente de trabalho que se vai generalizando nas escolas, desviando os professores do trabalho lectivo e ao defender a extinção da categoria dos professores titulares, assim como um sistema de avaliação justo e eficaz.

sábado, 8 de março de 2008

Comunicado - TSD apoiam os movimentos dos professores

Divulgado recentemente, o estudo da Gallup The Voice of the People 2007 realizado para o Fórum Económico Mundial demonstra inequivocamente que a classe profissional em que os portugueses mais confiam é a dos professores. Porém, ao arrepio deste sentimento dos portugueses, o governo socialista tem tratado mal os professores, mais do que qualquer outra classe profissional.

O ataque do governo à imagem e à dignidade da profissão docente raia o inexplicável e é responsável pelo clima de grande tensão que se vive nas escolas, assim como entre os professores e o próprio governo.
As manifestações dos professores, nas ruas das cidades de Portugal, já não são convocadas apenas por sindicatos. Muitas associações independentes de professores têm nascido, demonstrando que o governo conseguiu unir todos os professores contra estas reformas.

Os professores não recusam reformas que os fortaleçam como uma classe exemplar, de grande prestígio social, de grande qualidade e de imenso profissionalismo. Os professores recusam estas reformas absurdas. Recusam a divisão da classe; recusam o concurso do tipo de jogo de azar que foi a nomeação de professores titulares por pontos acumulados nos últimos 7 anos; recusam esta avaliação desumana, complicada, burocrática e apressada, portanto inimiga da perfeição; recusam a funcionalização da profissão e o excesso de horas em escolas que não têm condições de trabalho, fazendo tarefas burocráticas, com o consequente e inevitável prejuízo da qualidade da principal função que devia continuar a ser a educação e a formação dos alunos.

As consequências destas reformas do governo socialista prevêem-se desastrosas. É certo que o povo português não se deixou influenciar pelos ataques do governo contra os professores, como o referido estudo mostra, mas o sistema educativo português, já caracterizado por um forte abandono escolar e por resultados decepcionantes relativamente aos restantes países obtidos pelos estudantes portugueses nos estudos internacionais de conhecimentos e competências, vai de mal a pior. E é esta a nossa maior preocupação, ainda mais do que sentir que os professores portugueses estão a ser maltratados pelo governo.

Conscientes que o estado da educação e da formação dos portugueses é a raiz do nosso descontentamento com a qualidade de vida em Portugal e da queda do país nos mais consagrados indicadores económicos e sociais; conscientes que não é possível inverter a tendência para um cada vez maior atraso dos portugueses em educação e formação, tratando tão mal os professores; considerando que a situação nas escolas só não é pior devido ao elevado profissionalismo e competência dos professores; conhecendo a confiança dos portugueses na capacidade e na competência dos professores,

O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD
i) considera que o governo pode e deve resolver os problemas que criou nas escolas, emendando os erros que cometeu,
ii) defende que o Partido Social Democrata pode e deve assumir o compromisso eleitoral de reparar os erros cometidos pelo governo socialista contra os professores, nomeadamente a forma como dividiu a classe em professores e professores titulares e esta avaliação que engendrou, traduzido em propostas concretas para alterar este Estatuto da Carreira Docente,
iii) incentiva os professores a participar massivamente nas manifestações que estão a ser convocadas pelos sindicatos e pelas associações independentes, na defesa da dignidade da profissão e da boa qualidade das escolas.

Porto, 4 de Março de 2008
O Secretariado dos Professores do Porto dos TSD

domingo, 24 de junho de 2007

Propostas do PSD - X Legislatura

Apreciação parlamentar do Decreto-Lei nº 200/2007 - Estabelece o regime do primeiro concurso de acesso para lugares da categoria de professor titular da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário

Reforma da Segurança Social (altera a Lei nº 32/2002, de 20 de Dezembro)

Cria o sistema de avaliação das escolas do ensino básico e secundário

Recomendar ao Governo a adopção de medidas que visem contribuir para melhorar a resposta das escolas e da sociedade na prevenção de comportamentos de risco, proporcionando ambientes mais seguros e promovendo o sucesso escolar para todos (as) os (as) alunos (as)

Apreciação parlamentar - Cessação da vigência do Decreto-Lei n.º 147-A/2006, de 31 de Julho - regime de acesso e ingresso no ensino superior

Divulgação obrigatória dos cursos, e respectivos estabelecimentos de ensino, dos licenciados no desemprego

Regime de gestão dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário

Lei da autonomia e de gestão das instituições do ensino superior

Integra as unidades de investigação e desenvolvimento privadas no sistema científico e tecnológico nacional

Regime jurídico dos manuais escolares e de outros recursos didácticos

Estabelece novas regras para as provas de agregação na carreira académica

Alteração da Lei nº5/2001, de 2 de Maio - considera o tempo de serviço prestado na categoria de Auxiliar de Educação pelos educadores de infância habilitados com cursos de formação a Educadores de Infância para efeitos da carreira docente

Lei de Bases da Educação

Programa de incentivos ao emprego de jovens licenciados

Criação do Programa "+ Inclusão"

Criação do Programa "+ Sucesso"

Comemoração dos 20 anos da aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo

Reforma do Ensino da Língua Portuguesa no Estrangeiro

terça-feira, 12 de junho de 2007

Concursos para professores titulares

Concursos para professores titulares

Era previsível e agora confirma-se o tremendo erro cometido pelo Ministério da Educação: os resultados dos concursos para professores titulares saldar-se-ão por um fracasso assinalável; as escolas não ficarão a dispor de quadros de professores titulares preenchidos pelos que melhor estão habilitados para exercer as funções correspondentes. Não se esperava outra coisa de um concurso parecido com uma acumulação de pontos de cada vez que se vai abastecer de gasolina numa estação de serviço até ganhar o prémio.

Quase no final do período do concurso, sabe-se já com toda a segurança que o que mais determinará a nomeação dos professores titulares é o exercício de funções não lectivas ou de direcção de turma, por professores dos últimos escalões, nos últimos 7 anos. Por isso, o erro já é evidente.
É um erro, porque só os professores que estão nos últimos escalões foram admitidos aos concursos.
É um erro, porque o exercício das funções não lectivas ou de direcção de turma não é avaliado.
É um erro, porque só contam para o currículo as funções exercidas nos últimos 7 anos.
É um erro, porque são valorizadas funções que não têm relação com as funções atribuídas aos professores titulares.
É um erro, porque as funções não lectivas de coordenação são exercidas rotativamente por todos os membros de cada departamento, sem critérios de competência em cada eleição e sem avaliação de cada mandato.
É um erro, porque as funções de direcção de turma são exercidas em função do número de horas lectivas: se sobram horas lectivas nos horários dos professores, completa-se com direcções de turma; se não sobram horas lectivas, os professores não podem ter direcções de turma, porque é proibido exceder o número prescrito de horas lectivas.

Do ponto de vista das escolas há uma política errada de recursos humanos, porque não se seleccionam os professores mais habilitados para exercer as funções atribuídas aos professores titulares.
Do ponto de vista dos professores há uma desigualdade de tratamento injustificável entre os que puderam exercer as funções valorizadas nos últimos 7 anos e os que as exerceram antes; entre os que estão nos últimos escalões e os que estão nos primeiros; entre os que estão no 10º escalão – privilegiados, uns, e marginalizadas, outros – e os que estão no 9º ou no 8º.

Perdemos todos.

Secretariado da Secção Laboral dos Professores do Porto dos TSD